Diversos estudos apontam a pirólise como um dos meios mais eficientes para o tratamento de lixo. Em 1970, W. Sanner concluiu que através dela pode-se extrair diversos subprodutos do lixo. Em uma tonelada é possível extrair cerca de onze quilos de sulfato de amônia, 12 litros de alcatrão, 9,5 litros de óleo, entre outros. Constitui-se em uma opção ecologicamente correta, além de possibilitar uma diminuição considerável do número, e do tamanho, de aterros sanitários. [2]
O gás de síntese (ou gasogênio) é um combustível químico que constitui-se predominantemente de hidrogênio (50 a 60% do peso). O restante é formado por monóxido de carbono (CO). Utiliza-se como matéria-prima materiais geralmente ricos em carbono, como carvão, madeira, ou outros tipos de biomassa. Sua produção ocorre desde a década de 1920. Primeiramente, surgiu na França e depois se popularizou no mundo na época da II Guerra devido à escassez de outros combustíveis.
O potencial energético do gás de síntese é elevado. Seu conteúdo entálpico varia de 1,3 a 4,9 Kcal por litro de gás. Sua produção representa vantagens econômicas e ambientais [3].
A queima anaeróbica do lixo ocorre após a sua desidratação dentro do reator, com a temperatura controlada. Com a ausência de oxigênio, está assegurada a não produção de dioxinas e furanos no gás. Depois de lavado e homogeneizado, o mesmo é pressurizado no gasômetro e direcionado para a alimentação de um Grupo de Motor-Gerador que produzirá energia elétrica para o aquecimento do próprio reator e também para consumo industrial.
A massa do resíduo orgânico, natural ou sintética, é transformada em gás, restando na saída do reator apenas 3% de cinzas, metais e vidros, que serão coletados em caçambas e poderão retornar ao processo industrial através da reciclagem, ou re-utilizados na construção civil.
Principais vantagens do processo:
1 ? Ocupa pequena área física em comparação com os Aterros Sanitários.
2 ? Apresenta pouco consumo de água: não produz vapor para gerar eletricidade;
3 ? Automatização total;
4 ? Capacidade para processamento de todo Resíduo Sólido Urbano (resíduos domésticos; restos de varrição, de roçadas de terrenos e de podas de árvores; resíduos de serviços de saúde já inertizados, lodos de E.T.E., etc);
5 ? Apresenta compatibilidade com o futuro, pois precede a era do hidrogênio.
6 ? Emissão limpa, dentro dos padrões de emissão CINAMA e SMA 079.
7 Possibilidade de converter o gasogênio em hidrogênio e metanol.
RESULTADOS OBTIDOS OU ESPERADOS
A análise estequiométrica do processo indica que é possível produzir gás síntese em quantidade suficiente para alimentar todo o processo e aproveitar o gás excedente para gerar energia elétrica.
O projeto elaborado para uma cidade de 600 mil habitantes, prevê que a destinação de RSU através do processo apresentado, além de resolver o problema do lixo urbano com responsabilidade ambiental, pode produzir Energia Elétrica auferindo receitas satisfatórias.
Além disso, outras receitas poderão ser agregadas ao processo, pois a Disposição Final dos Resíduos Sólidos Urbanos em Aterros Sanitários tem custado, atualmente, ao erário público municipal, em torno de R$ 60,00 por tonelada, mais o custo do transbordo e do transporte, ultrapassando R$ 120,00 por tonelada de RSU enterrado.
E ainda, dependendo da forma como será fornecida a energia térmica ao processo (solar, eólica, elétrica), é possível obter Créditos de Carbono devido à utilização de energias limpas e diminuição das emissões de gases de efeito estufa.
CONCLUSÃO
Devido aos custos atualmente envolvidos com a Construção, Manutenção e Operação dos Aterros Sanitários, além da Degradação Ambiental Natural da própria área, o processo apresentado é perfeitamente viável do ponto de vista técnico e econômico-financeiro, mesmo que o gás síntese produzido seja apenas queimado ?in flare? em vez de utilizá-lo para a produção de energia elétrica.